Imprimir

História da Igreja Batista do 7º Dia

Batistas do Sétimo Dia emergem durante a grande década (1650-1660)

 A despeito de suspeitas e oposição, o período do Commonwealth, que seguiu à decapitação de Carlos I foi um período de mudanças políticas e religiosas.
 
Após anos de autoritarismo da coroa e da igreja oficial, verificou-se um período de relativa liberdade para encontrar e desenvolver uma identidade pessoal, tanto na prática política e religiosa. Foi, portanto, nesta década de relativa liberdade que apareceu a denominação Batista do Sétimo Dia, como um grupo separado e distinto de Cristão.
 
Alguns eventos na história podem ser datados de forma precisa através de acontecimentos e ações decisivas. Produziram-se, no entanto, movimentos na história, cujo inicio não pode ser claramente entendido; conseqüentemente não se pode estabelecer datas precisas, pois se trata de movimentos que surgem como resultado de idéias que vão amadurecendo lentamente e portanto também se concretizando gradualmente. Muitos fatores neste amadurecimento gradual, que produziu a denominação Batista do Sétimo Dia, trazem dificuldades para os historiadores que estudaram a história desta igreja, isto é, no sentido de estabelecer uma data exata para seu início. Entre os fatores mencionados estão a autoria anônima e oscilações ou mudanças rápidas nos pontos de vista doutrinários.
 
Primeiro fator a considerar são os autores anônimos. Havia, como dissemos, uma liberdade relativa. Havia ainda muitos preconceitos e desconfianças e no horizonte ainda se desenhavam os temores de uma mudança política súbita que provocasse o retorno da ditadura religiosa com seu poder de condenar e executar pessoas. Assim que, para evitar suspeitas e perigo de perseguição, muitos escreveram na condição de anônimos, ou então, usavam as iniciais no lugar do nome completo. Algumas atas continham o registro em código, como foi o caso da igreja batista de Tewkesury, que continham os nomes de Stephen e Anne Munford, os primeiros Batistas do Sétimo Dia na América. A identificação também é dificultada por uma variedade de pronúncias de alguns nomes. O nome de James Oxford, algumas vezes pronunciado Oxford; e Peter Chamberlem aparece eventualmente como Chamberlem; e William Salter aparece com as variantes Salter, Seller ou Sellers.
 
Segundo, as crenças se tornaram mutantes, ao sabor da liberdade jamais usufruída antes, as crenças oscilavam e muitos mudavam de opinião com relativa facilidade. B. R. White observou que as convicções das pessoas mudavam com uma velocidade de "quebrar o pescoço". Assim a pessoa podia ser fiel à sua comum congregação em 1644, e logo depois ser um presbiteriano, um independente, um batista, um pesquisador e antes da restauração de Carlos II, em 1660, um Quaker. Ele observou que não era uma "atitude sábia" deduzir que a pessoa permanecesse de forma estável em um grupo, só porque um fragmento histórico noticiou a sua presença neste grupo.
 
A terceira dificuldade em estabelecer uma data especifica para a formação de igrejas é que, embora o indivíduo tivesse crenças distintivas em relação ao sábado e ao batismo, ele compartilhava outras doutrinas com outros grupos religiosos. Assim um grupo de pessoas que a história poderia definir como Batistas do Sétimo Dia, por suas convicções quando ao batismo e o sábado, eram membros participantes de denominações guardadoras do domingo. Alguns até serviam como pastores de outras denominações enquanto mantinham pequenos grupos privados, com os quais cultuavam o Senhor no Sábado.
 

Os primeiros Batistas do Sétimo Dia

 
A despeito de todas estas dificuldades podemos situar nos primeiros anos da década de cinqüenta (1650) o nascimento da denominação Batista do Sétimo Dia. Esta informação advém de duas fontes:
 
Primeiro: seus próprios escritos e registros.
 
Segundo: Os escritos e ações dos oponentes que tentavam refutá-las.
 

James Oxford

 
A primeira matéria em defesa do sábado do sétimo dia, de autoria de um batista, foi escrita por James Oxford. Ele publicou um livro em 1650, em Londres com o título, "A doutrina do quarto mandamento, deformada pelo papado, reformada e restaurada à sua primitiva pureza". Esta publicação causou tal inquietação em Salisbury, que o superintendente da cidade perguntou ao interlocutor do parlamento inglês, o que se deveria fazer a respeito do livro, uma vez que ele minava os fundamentos da guarda do "dia do Senhor". O superintendente encaminhou o assunto a um comitê do parlamento, o qual recomendou que todas as cópias do livro fossem recolhidas e queimadas, e que o autor fosse punido. Pelo que se sabe, apenas um livro escapou das chamas.
 
Oxford assegurou aos seus leitores que ele era genuinamente Cristão, dizendo "eu não sou judeu, nem inclinado a qualquer opinião judaica; eu não procuro justiça através da lei, mas sim através da fé no filho de Deus, de acordo com o evangelho". Ele via o sábado como um deleite e alegria, declarando, "Feliz será a igreja que cultua a Deus de acordo com a sua lei, e dignifica o Senhor, situando sobre o Sétimo Dia a honra que Deus requer que seja atribuída à este dia".
 
Oxford não teve chance de defender seus escritos no tempo em que foram condenados. Outros escritores, no entanto, se ocuparam com as questões que ele levantou. Daniel Gowdry, em um livro intitulado, "Sabbatum" dedicou várias páginas para refutar a livro de Oxford. Teophilus Brabourne, que continuou escrevendo sobre o sábado, fazendo parte da igreja da Inglaterra, fez referência ao livro de Oxford refutando os ataques de Cowdry. O parlamento inglês se posicionou emitindo novas leis para tornar mais estrita a observância do domingo.
 

Um escritor anônimo

 
É possível que a queima dos livros de Oxford motivou outros a escrever ocultando a autoria, como escritores anônimos. Um de tais livros é o primeiro livro conhecido que enfoca o assunto do sábado e simultaneamente advoga o batismo por imersão. Esta obra foi publicada em 1652 sob o título "A moralidade do quarto mandamento" e denunciava a inconsistência daqueles que rejeitavam o sábado com a desculpa que era uma instituição judaica e defendiam ao mesmo tempo o batismo infantil usado como argumento e circuncisão de infantes, esta sim uma instituição exclusiva e genuinamente judaica. O autor conclamava para o batismo por imersão, escrevendo, "Primeiro seja o coração batizado no sangue de Cristo, então traga a coração para ser lavado em água pura, o corpo todo, não uma parte dele, lavado, não aspergido".
 
Este autor anônimo dispensou uma atitude muito tolerante com os guardadores do domingo, o que tem sido uma característica da maioria dos Batistas do Sétimo Dia através dos tempos. Enquanto a maior parte do livro argumenta com firmeza a favor do sábado como o verdadeiro dia de guarda e rejeita totalmente o domingo não lhe atribuindo nenhuma santidade, ele conclama os leitores a lembrar "que Deus nos chamou em paz e amor, não para contendas e amarguras, e que cada um ande, não ofendendo outros irmãos em sua prática."
 

William Saller

 
O primeiro pastor de uma igreja Batista do Sétimo Dia foi provavelmente William Saller, da congregação mais tarde conhecida como a igreja Mill Yard de Londres. Em cerca de 1653, escreveu sob o pseudônimo de "W. Salter", um livreto intitulado"Várias interrogações apresentadas aos ministros, para esclarecer a doutrina do quarto mandamento e do dia do Senhor, o sábado". Saller é mencionado como pastor por um tal de Thomas Tillam de Golchester, que em 1657 emitiu um comunicado em Londres, confirmando que congregações estavam se reunindo todos as sábados, e que o irmão Saller fazia parte de uma. O primeiro livro de registro desta congregação foi destruído pelo fogo, mas o segundo livro de registro de membros (Agora propriedade da sociedade histórica batista do sétimo dia) começa com a data de 1673, e indica que Saller era e vinha sendo por algum tempo, o pastor da referida congregação. Este livro de registro identifica Saller e sua congregação com a igreja que viria a ser conhecida como "A Igreja Batista do Sétimo Dia de Mill Yard".
 
Em 1657 Saller e John Spittlehouse escreveram um apelo aos principais magistrados, concernente à guardo do sábado. Eles arrazoavam que a emissão de leis forçando a cessação de trabalho no domingo, traria dificuldades sérias para os guardadores do sábado do sétimo dia, dado que estes se viam forçados então a guardar dois dias cada semana. Assim, alguns que acreditavam no sétimo dia, se viam muitas vezes forçados a "quebrar o sábado do Senhor", e observar o sábado criado pelo homem, devido às necessidades financeiras. Por quase três décadas Saller continuou a escrever e pregar suas convicções. Onze livros de Saller têm sido identificados, dez dos quais se sabe que ainda existem.
 

Henry Jerssey

 
Associado com Saller estava Henry Jerssey, pastor de uma famosa congregação dissidente de Londres, a igreja Jacob- Lathrop - Jerssey. O segundo pastor da igreja John Lathrop, após servir à igreja pelo espaço de oito anos, foi preso com mais quarenta congregados, por causa de suas convicções religiosas que não encaixavam com os ensinos da igreja oficial. Após dois anos foi solto com a condição de abandonar a Inglaterra. Em 1634 ele navegou para Massachussets, onde se tornou pastor de igrejas situadas em Scituate e Barnstable. Muitas famílias destas igrejas. Incluindo descendentes de Lathrop, se tornaram posteriormente membros da Igreja Batista do Sétimo dia de Piscataway, Nova Jersey, fundada em 1705.
 
A igreja de Jerssey na Inglaterra. Aceitou o batismo por imersão, mas, ao mesmo tempo aceitava como membros os batizados por aspersão. Posteriormente. Grupos dentro da igreja fecharam em torno do batismo por imersão e separaram-se formando congregações batistas.
 
No tocante ao sábado, Jerssey tinha convicção da guarda do sábado e guardava pessoalmente com mais uns cinco da congregação Mas continuava pregando no domingo. Não teve aquela convicção incendiária tão necessária para transferir a benção do sábado para os congregados.
 

Dr. Peter Chamberlem

 
Um dos mais conhecidos nomes associados com os primeiros batistas do sétimo dia foi o do Dr. Peter Chamberlem, médico pessoal do rei e posteriormente também do rei Carlos II. Ele escreveu extensivamente sobre medicina, saúde pública, e reformas sociais e econômicas. A lápide do seu túmulo dava a data de sua morte como sendo 1683 e dizia que ele tinha guardado o sábado durante mais de 32 anos. Isto situa a sua adesão ao sábado por volta do ano de 1651. Em um de seus últimos escritos. Do ano de 1682, ele reivindica a posição de ser o primeiro a empreender o resgate da instituição sabática, mas esta posição, sabe-se hoje, não é muito correta. Oscar Burdick afirmou dele "era um ancião de fortes convicções, mas não muito preciso nas afirmações históricas".
 
Uma das ações mais extraordinárias do Dr. Chamberlem a favor do sábado foi a sua participação em debates em 1659, que ocorreram na "capela de pedra", ao lado da Catedral S. Paulo em Londres. Jeremiah Ives falou contra o sábado e a favor do domingo, enquanto que o Dr. Chamberlem, Thomas Tillam, e Mathew Coppinger falaram a favor do sábado. Ives escreveu o Conteúdo de seu debate no livro "Domingo, e não sábado" que foi endereçado aos "crentes em Cristo", especialmente aos que se encontravam "escravizados pelo sábado judaico", e mais particularmente àqueles de Colchester. A sua menção de centenas de pessoas assistindo o debate demonstra quão amplo era o debate sobre o assunto nesta década.
 
Antes que terminasse o debate da "capela de pedra" a casa dos comuns (parlamento) apontou uma subcomissão, para estudar "como acabar com as reuniões dos quakers, papistas... e os introdutores do culto judaico" (que muitos historiadores interpretam como os cristãos que cultuavam a Deus no sábado). Alguns batistas do sétimo dia ainda em comunhão com outros batistas tiveram problemas e alguns foram até expulsos por suas convicções a respeito do sábado do Senhor.
 

Thomas Tillam

 
Outra pessoa envolvida no debate da capela de Pedra foi Thomas Tillam de Colchester, uma cidade distante 45 milhas a nordeste de Londres. Registros relembram que em maio de 1656 Tillam requereu de Oliver Cronwell e do conselho de Londres um lugar para congregar em Colchester. Como o conselho tinha boas informações a respeito de Tillam, recomendou ao maioral de Colchester, que provesse um bom lugar para Tillam e seu grupo se reunir. Este fato demonstra que as igrejas, mesmo independentes da Igreja da Inglaterra, ainda dependiam do Estado para suporte. Tudo indica que lhes foi cedido uma construção paroquial para suas reuniões.
 
Em 1657 Tillam publicou um livro intitulado "O sábado do sétimo dia, encontrado de novo e celebrado". A obra é importante por duas razões: 
1a.)Faz referência à carta mencionada em conexão com Saller, que é o primeiro documento concreto a respeito de congregações guardadoras do sábado em Londres;
2a.) Duas versões do mesmo livro demonstram que Tillam estava modificando sua maneira de pensar.
A edição primeira proporcionava suporte para ambas as práticas, a guarda do sábado e do domingo, declarando que ele esperava que o povo aproveitasse as oportunidades e privilégios que o primeiro dia ofereciam para o culto a Deus. Na edição posterior ele declarou o seu equívoco de atribuir tantas qualidades ao primeiro dia como dia de culto, e pronunciou-se contra a comunhão do pão e do vinho no domingo, advogando que esta deveria acontecer no sábado. No segundo livro ele admite reuniões de culto no domingo, conquanto não interfira com o trabalho da pessoa.
 
No final da década Tillam adotou posturas fanáticas, foi preso, e depois com o nome invertido "Mallit" foi com seus seguidores para Heidelberg, na Alemanha onde fundou uma igreja com práticas radicais.
 

Batistas do Sétimo dia sob a monarquia restaurada

 
No inicio da década de 1650 apenas poucas vozes se fizeram ouvir a favor do sábado, mas no final da década duas congregações batistas do sétimo dia, a de Mil Yard e a de Colchester guardavam o sábado sem contar com grande número de pessoas que isoladamente aderiram à verdade do sábado e guardavam o dia do Senhor e ainda com inúmeros pequenos grupos que ficaram incógnitos dado às circunstâncias difíceis neste tempo para quem defendia verdades impopulares.
 
A expectativa da Inglaterra aderir à guarda do sábado foi um sonho que desmoronou, mas pela primeira vez em muitos séculos aparecem Igrejas cristãs que guardam novamente o sábado, como os cristãos da antiguidade o fizeram ao longo de muitos séculos, a exemplo do catolicismo oriental (ortodoxo), antes de aceitar a inovação romanista.
 
A continuidade deste ritmo ascendente, de crescimento de adesão à guarda do sábado foi interrompida pela restauração da monarquia inglesa e a restauração da Igreja da Inglaterra, o que veio a restringir novamente a liberdade de consciência. Abria-se agora um mundo novo para os que desejavam viver de acordo com os ditames da consciência; o continente norte americano, onde já em 1671 se organiza a primeira Igreja Batista do Sétimo Dia em Newport, Rode Island.
 

Leis restritivas do Parlamento

 
O Parlamento inglês negociou as condições sob as quais Carlos II , o filho do rei que fora decapitado, poderia retornar à Inglaterra e reassumir o reino. A negociação foi documentada na "declaração de Breda". Em adição a um considerável poder que o parlamento viria a ter, o acordo prometia "liberdade religiosa em assuntos que não trouxessem distúrbio à paz geral do reino". Mas não passou muito tempo, e O POVO logo descobriu quão elástica poderia ser a interpretação do item "que não trouxesse distúrbio à paz geral do reino". As autoridades vigentes concluíram que foi a dissidência religiosa a culpada da guerra civil e da morte de Carlos I. Logo inúmeras leis foram feitas fazendo com que as que não se submetessem à igreja inglesa, vivessem uma vida marginalizada de subcidadânia, ou abandonassem o país.
 
A nobreza inglesa julgava que a monarquia restaurada só estaria segura eliminando-se a dissidência religiosa, que na sua visão era uma ameaça para o poder público.
 

Atitudes modificadas

 
Tornou-se difícil permanecer em igrejas estabelecidas e ao mesmo tempo guardar o sábado.
 
Neste novo período aparece John Milton, defendendo a posição anti-sabática e denunciando o sábado como sendo essencialmente judaico, e declarando que não há nenhum mandamento específico no novo testamento que mande guardar o sábado. Curiosamente reconhece a guarda do domingo como alicerçado unicamente na autoridade da igreja estabelecida. John Milton fez afirmações contraditórias a respeito do mandamento do sábado onde se condena a si próprio em seus posicionamentos, pois afirma que "se o tempo usado para cultuar a Deus fosse estabelecido pelo quarto mandamento, seria muito mais seguro observar o sábado, em conformidade com o expresso mandamento de Deus, do que aceitar a autoridade de meras conjecturas humanas, aceitando o primeiro dia".
 

Batista do Sétimo dia no período da restauração monárquica.

 
Nos anos seguintes da restauração, um número de guardadores do sábado alcançaram posições de honra e confiança, a despeito da perseguição. John Beicher foi preso por razões políticas e religiosas. John James sofreu o martírio. Francis Banpfield aceitou o sábado enquanto estava na prisão e veio a falecer na prisão de Newgate por sua devoção à Palavra de Deus. Edward Stennett ficou um bom tempo na prisão e escolheu sacrificar a sua vocação antes do que sacrificar sua convicção a respeito do sábado. Membros da família Stennett exerceram seu direito de escolha aceitando posições de liderança em igrejas batistas enquanto pessoalmente crendo e praticando a verdade do sábado.
 
Seja por perseguição, reação aos excessos da colônia de Tillam, ou mudança de crenças; o fato é que muitos abandonaram a guarda do sábado. Entre ele estava John Cowel, um ancião da igreja batista de Tewkes burry, que depois de treze anos defendendo e pregando o sábado, desistiu da sua crença e prática neste assunto, e veio até a combater, escrevendo contra o sábado.
 

John Beicher: um prisioneiro do Rei dos reis

 
John Beicher, um pedreiro de profissão, era o pastor da congregação de Bell Lane em Londres durante a maior parte de sua existência. Ele foi preso em 1658 por suspeita de envolvimento com a doutrina da 5ª Monarquia. Em 1671, foi preso novamente, esta vez por dois motivos: seu posicionamento político e por ser um não conformista religioso. Os jornais estatais se referiam a ele e sua congregação como "Sabatarianos e pessoas identificadas com a 5ª Monarquia". Beicher e três outros foram levados para a torre enquanto que trinta outros foram colocados em diferentes prisões. Foi dada a ordem de destruir seu lugar de reunião. Provavelmente uma carta mandada da igreja de Bell Lane para uma de Newport, em Rhode Island, se referia a este fato, pois falava da prisão da maior parte da congregação, e que permaneciam presos sendo o seu destino desconhecido
 
Algumas das correspondências de Beicher e outros deram coragem aos guardadores do sábado da igreja batista de Newport, Rhode Island, e estes separaram-se da igreja batista formando uma congregação batista do sétimos dia em 1671. Em 1668 membros da igreja de Bell Lane escreveram para os de Newport sobre a necessidade de serem fiéis às suas convicções, mas também aconselhavam uma atitude tolerante para com os que não aceitavam o sábado, deixando-lhes um bom exemplo e usando com eles de atitudes brandas.
 

John James

 
Um dos mais dramáticos e bem documentados incidentes envolvendo um pastor batista do sétimo dia foi o martírio de John James, em 1661. Um livro do museu britânico, impresso em 1661, apresenta a titulo "O pronunciamento verdadeiro e perfeito de John James, um batista, do partido da 5ª Monarquia".
 
O autor deste livro fornece um relato detalhado do julgamento e da execução de John James, descrevendo o medo que o Rei Carlos II, e todas as autoridades tinham de movimentos religiosos considerados subversivos. Por um lado se entende o fato, pois foi uma revolução motivada por princípios religiosos que levara a execução do rei Carlos I. O livro se referia aos chamados "homens da 5ª Monarquia, cujos princípios de monarquia são perniciosos e perigosos", e como um deles, John James, "um pretenso pregador desta sociedade, um tecelão de seda, por profissão", foi preso na capela branca, num dia de sábado, 19 de outubro de 1661. Ele foi acusado de pregar sobre o Salmo 8:2 "do qual ele extraiu muitas doutrinas que incentivavam a sedição e rebeliões".
 
No início do ano em foco, em janeiro, Thomas Venner e seus seguidores no movimento da quinta monarquia tentaram, sem sucesso, derrubar a governo vigente e implantar pela força o reino de Cristo. Isto deu à corte um pretexto para suspender a declaração de indulgências, inicialmente prometidas pela monarquia restaurada. Ele foi examinado, condenado e executado. Seu corpo foi esquartejado e as partes expostas em lugares estratégicos na cidade, como advertência a outros.
 
No entanto nada do que constava contra ele, desde as primeiras acusações, até a acusação final que levou a sentença, incluía a fato de ser um guardador do sábado ou um não conformado com a igreja oficial.
 
O tato de ele pregar no sábado pode ter atraído a atenção para a sua pregação par parte daqueles que o denunciaram às autoridades. Em seu pronunciamento final sob a forca ele defendeu a sua lealdade à pátria, mas não deixou dúvidas que sua lealdade suprema era para com Deus. Falando de suas crenças, ele reconheceu que era um crente batizado, que aceitara os princípios de Heb. 6: 1-2 : "tais doutrinas como a fé em Deus, arrependimento de obras mortas, batismo, imposição de mãos, a ressurreição dos mortos e o juízo final" terminando com a afirmação de que reconheço os dez mandamentos de Deus, como expressos em Êxodo: 20", e não ousaria voluntariamente quebrar o menor destes para salvar a sua vida. Ele também declarou, "Eu também confesso o sábado santo do Senhor, o sétimo dia da semana, como sendo o sábado do Senhor".
 
John James não foi martirizado por suas convicções sobre o sábado. Entretanto, sua disposição de permanecer firme e de perdoar os que o perseguiam, são características que viriam a ser encontradas em muitos outras que usavam a nome de batistas do sétimo dia.
 

Francis Bampfield: Convicto enquanto sentenciado

 
Em seu livro "Santos e rebeldes, Sete não conformistas na Inglaterra de Stuart", Richard L. Greaves incluiu um capítulo intitulado: "Fazendo da lei de Cristo a sua própria norma, Francis Bampfield, reformador sabatariano". Greaves declara em sua introdução que Bampfield foi um defensor da realeza durante a guerra civil, mas que por outro lado nunca manteve pontos de vista radicais na política, mesmo quando preso por sua não conformidade. Greaves chamou a vida religiosa de Bampfield como "uma perfeita ilustração de peregrinação espiritual clássica, permanecendo fiel aos princípios anglicanos ao longo de todo o percurso e dando uma guinada final para doutrinas batistas do sétimo dia”. Embora tivesse equivocadamente identificado Bampfield com os homens da 5ª monarquia, contudo foi correto em afirmar que não compartilhava de sua ideologia política. A opinião pública da época passou a confundir a ideologia da 5a. monarquia com os guardadores do sábado. Greaves afirmou sobre Francis Bampfield. "na verdade, sua defesa do sabatarianismo foi um resultado de sua aproximação das Escrituras como a fonte de conhecimento bem como o limite e fundamento de experiência religiosa."
 
Os Bampfields eram uma família proeminente, exercendo vários cargos políticos importantes. Um dos irmãos, Thomas, era membro do Parlamento e orador da casa dos comuns em 1.659. Francis Banpfield se preparou para o ministério, graduando-se em Oxford com as graduações BA. e  M.A. Mais tarde ele lembra estes tempos em Oxford como "espaços nulos" em sua vida, pois pouco aprendeu sobre a Palavra de Deus, nestes estudos.
 
Como a sua lealdade inicial era para com a monarquia e a igreja estabelecida, seus serviços religiosos foram interrompidos pelas tropas de Cromwel. Agora, na era da restauração da monarquia, Bampfield havia adquirido uma experiência através da Palavra de Deus que o colocava com os não conformistas. Após um ministério popular em Sherborne onde ele atraiu uma congregação enumerada de milhares, ele foi destituído com mais algumas centenas de pessoas por falta de conformidade com o "Book of common prayer: (livro da oração comum). Em 19 de setembro, de 1.662 durante os serviços de culto na casa de Bampfield, os soldados interromperam o culto e Bampfield foi preso com cerca de vinte e cinco de seus seguidores. Ele foi libertado cinco dias depois, mas foi preso na semana seguinte por conduzir serviços de culto ilegais novamente. Após um ano e meio na prisão, arranjos foram feitos para sua libertação, sob a condição de "bom comportamento", o que Francis recusou, pois interpretou os termos como uma confissão de culpa.
 
Enquanto na prisão, Bampfield organizou sua própria igreja, pregando dezesseis vezes por semana, pregando a outros prisioneiros e também para visitantes que vinham cultuar com eles. Durante este tempo ele aceitou o sábado, crendo que era urna doutrina tanto da Bíblia como da natureza. Primeiro guardou o sábado de forma particular, mas após conseguir a adesão de mais algumas pessoas, ele proclamou abertamente a verdade do sábado e passou a conduzir o culto de adoração no sábado. Durante a sua prisão, ele e mais dois companheiros foram convencidos da validade do batismo por imersão. Como não tinham facilidade de praticá-lo na prisão, resolveram ser batizados tão logo saíssem livres. Em suas reminiscências, o próprio Francis recorda quando navegaram pelo rio Tâmisa até Battersea onde adoraram no sábado de manhã. Mais à tarde ele viajou até Salisbury, onde recorda, que à maneira de John Smith, um dos precursores do movimento batista, ele batizou a si mesmo no rio Avon, como se pela mão do próprio Cristo.
 
Durante a sua estada em Salisbury, F. Bampfield foi aprisionado novamente por um período de dezoito semanas. Após sua libertação dirigiu-se para Londres onde fundou a Igreja Batista do Sétimo dia de Pimer’s Hall, em 1.676. F. Bampfield foi aprisionado pela ultima vez em 1683, na prisão de Newgate, isto porque não aceitou imposições governamentais que comprometiam a sua fé. A estas alturas sua saúde estava tão alquebrada que veio a morrer no ano seguinte, na prisão. Edmund Calamy escreveu "Ele foi um dos mais celebrados pregadores no oeste da Inglaterra, e extremamente admirado pelos seus ouvintes, até que se enredou com a idéia sabatariana, da qual foi um fiel praticante. "Este" enredar-se com idéias sabatarianas" foi o resultado lógico de suas convicções fundamentadas no ensino da Palavra de Deus, e que freqüentemente transparecem em suas pregações e escritos "As Escrituras da verdade são uma perfeita livraria contendo todo o conhecimento salvador, e ciência proveitosa ".
 
À parte de seus escritos e testemunhos à respeito do sábado, F. Bampfield também é significativo para os batistas do sétimo dia porque foi um dos primeiros a propor uma associação de guardadores do sábado, incluindo igrejas de ambos os lados do oceano Atlântico. Sua proposta não chegou a ser implementada, mas suas declarações demonstravam preocupação com a educação cristã de crianças e de um preparo ministerial, patrocinando uma tradução mais acurada da Bíblia e estudando meios de converter os judeus. Ele foi particularmente interessante como fundador da igreja batista do sétimo dia de Pimmer’s Hall que permaneceu até 1.840. Quando se fundiu à igreja de Mill Yard, Nesta igreja muitos da família Stennett foram nutridos espiritualmente e prestaram seu serviço à causa de Cristo.
 

A família Stennett

 
Por mais de um século na Inglaterra a família Stennett foi associada a ambos, batistas do sábado e do domingo. Através de seus escritos, hinos, e representação da tradição das igrejas livres, sua influência se estendeu aos tempos modernos. Quatro gerações de Stennett representam o amplo aspecto de práticas encontradas em algumas famílias batistas de tempos posteriores. Edward Stennett, o patriarca da família foi ferrenho defensor do sábado. Escreveu o livro "Contenda pela lei real" onde argumenta biblicamente sobre a validade atual da lei de Deus, e conseqüentemente do sábado do quarto mandamento. Edward sofreu perseguições por causa de suas convicções.
 

Joseph Stennett

 
Joseph Stennett, filho de Edward, nasceu em 1.665 em Abingdon. Joseph Stennett não teve vida fácil, pois devido a suas convicções religiosas, e defesa da liberdade de consciência foi expulso das universidades de Oxford e Cambridge. Não obstante este fato tornou-se uma pessoa muito culta. Falava fluentemente duas línguas estrangeiras, o francês e italiano, e era versado em hebraico e outras línguas orientais. Destacava-se também na literatura poética. Foi ordenado pastor na igreja batista do sétimo dia de Pimmer’s Hall, mas também colaborava na pregação em igrejas batistas dominicais.
 

Joseph Stennett II

 
Joseph Stennett II. Nasceu em 1.692 durante os reinados tolerantes de reis protestantes, o rei Guilherme e a rainha Maria, chamados a ocupar o trono após a revolução sem sangue que derrubou o rei Tiago II, em 1.689. Batizado aos quinze anos ingressou na congregação batista do sétimo dia de Pimmer’s Hall, formada de batistas particulares, mas a major parte de seu ministério foi dedicado às igrejas batistas em Exeter e Londres (dominicais).
 

Samuel Stennett

 
Dedicou-se a pregação pelo espaço de mais de meio século servindo congregações batistas dominicais e do sétimo dia como os demais Stennetts, tinha convicções pessoais favoráveis à guarda do sábado, mas vocacionalmente se sentia "em casa" atuando nas congregações batistas dominicais.
 

Conclusões

 
Tertuliano, comentando as perseguições movidas contra os cristãos, ressalta que "o sangue dos mártires atuava como sementes" e, portanto, quanto mais os heróis da fé tombavam, mais a igreja crescia.
 
Perseguições podem inspirar os obreiros evangélicos a trabalhar com maior fervor, ou eventualmente pode espalhar a semente de forma que venha a germinar em lugares distantes. A história dos batistas do sétimo dia mostra que sofrimentos como tiveram John James, Francis Bampfield, e Edward Stennett não eram suficientes para dar o tipo de resultado almejado na década de 60 (1.650-1.660).
 
Charles Henry Greene e James Gamble, em sua descrição dos batistas do sétimo dia nas ilhas britânicas publicado em 1.910 com o título "Batistas do Sétimo dia na Europa e na América", alistou trinta e duas congregações na Inglaterra, do período que inicia em 1.650 até 1.900. Algumas congregações alistadas são pequenos grupos, cuja existência veio a ser conhecida, porque foram mencionadas em correspondências, portanto tratava-se em muitos casos de igrejas familiares, que o autor desta apostila classifica como micro-congregações. Em alguns casos a mesma congregação também teve diferentes endereços ao longo da história, porque a igreja batista do sétimo dia nos primeiros séculos, na Inglaterra, era uma igreja subterrânea. O termo subterrâneo é moderno e se aplica ao cristianismo do tempo da cortina de ferro, quando existia a União Soviética e atualmente os cristãos na China, Cuba e países maometanos. A palavra subterrânea é usada no lugar de clandestina que é mais pejorativa. Havemos de convir que a igreja batista do sétimo dia, pelo espaço de quase dois séculos, foi uma igreja subterrânea (clandestina) na Inglaterra e, portanto, não temos como avaliar o seu crescimento neste período subterrâneo. Podem ter havido muito mais congregações do que se tem noticia, pois muitas micro-congregações zelavam pelo seu anonimato. As congregações maiores dificilmente foram mais do que dezesseis no período em foco, incluindo as três de Londres (Mill Yard, Bell Lane, e Pimmer’s Hall). As demais estavam espalhadas de North Sea até Norfolk, do Canal Inglês até Dorset e ao norte Natton em Gloucester-Shire.
 
Em 1.980, apenas duas igrejas batistas do sétimo dia podiam ser encontradas na Inglaterra. A de Mill Yard, localizada em Totenham, na região metropolitana de Londres, e a relativamente nova congregação de Birmigham, que abriu um trabalho em Bristol. Estas igrejas não são o fruto direto de sementes da herança inglesa, originadas da linhagem do décimo sétimo e décimo oitavo século de guardadores do sábado. Mesmo que a organização da congregação de Mill Yard tenha permanecido intacta por mais de três séculos, ela representa em seu estágio atual um transplante da conferência Jamaicana da Igreja Batista do Sétimo dia. Tem sido feitas tentativas para explicar as causas do declínio de nossas igrejas na Inglaterra. Greene e Gamble apontaram três causas:
 
1ª) Uma falta de organização no sentido de fazer das diferentes igrejas uma comunidade integrada;
 
2ª) Dependiam de doações para subsistir. A igreja estatal era mantida pelo governo. (Algumas igrejas livres, entre elas a batista do sétimo dia, não perceberam que dentro da Palavra de Deus existe um plano divino para manutenção do ministério, que são dízimos e as ofertas. Sem esta prática é até de admirar como puderam subsistir por séculos antes de desaparecer.);
 
3ª) A utilização dos serviços de pastores integrados em congregações guardadoras do domingo, que eventualmente não demonstravam grande empenho em divulgar a doutrina do sábado, embora particularmente estivessem de acordo com ela.
 
Mas parece haver outras razões básicas, que estão por detrás dos motivos já mencionados, e posteriormente contribuíram para o declínio da membresia nas igrejas inglesas, até que recentemente ela ressurge como um enxerto, provido, pelas migrações de batistas do sétimo dia oriundos das Índias ocidentais. (Jamaica, etc.)
 
Primeiro, a falta de organização, no sentido de fazer das congregações uma comunidade integrada, não seria mesmo algo fácil de empreender. Por exemplo, comparemos duas congregações que vem sendo citadas nesta matéria, a de Mill Yard e de Piminer’s Hall. A de Mill Yard era composta de batistas gerais, ou seja, acreditavam que Jesus morreu por toda a humanidade, e que qualquer pessoa que aceitar a oferta da salvação que Deus faz em Cristo é salva. A de Pimmer’s Hall era formada de batistas particulares, portanto calvinistas na fé, e criam que a salvação é oferecida só para pessoas pré escolhidas por Deus. Quando em 04 de junho de 1.721 as duas igrejas passaram a congregar em Mill- Yard, ficou claro nos registros da igreja que; "passariam a congregar juntas, mas continuariam sendo duas congregações distintas". Ora, analisando do ponto de vista teológico, deve-se concluir que duas diferentes denominações protestantes, que por coincidência guardavam O mesmo dia santo, passaram por força de motivo maior ocupar o mesmo espaço físico para prestar cultos associados, mas sem uma efetiva integração na comunhão religiosa.
 
Em 1.728 houve um racha, quando a igreja de Mill Yard chamou Robert Cornthwaite para o pastorado. Muitos batistas particulares fizeram objeções aos seus pontos de vista unitarianos e se afastaram, escolhendo Edmundo Townsend como seu pastor. Passaram a congregar no Currier’s Hall.
 
Um outro problema foi o legalismo rígido de alguns defensores do sábado como Tillam e Cristopher Pooly da igreja de Norwich. Este legalismo severo pode ter sido uma das principais razões para a deserção de John Cowell, que depois de guardar o sábado por muitos anos pastoreando a igreja em Natton, renunciou e escreveu a livro "O laço partiu-se". A leitura do livro teve um resultado devastador para os guardadores do sábado, por John Cowell ter sido um dos principais defensores do sábado por muitos anos.
 
A terceira barreira para uma comunhão maior entre as igrejas guardadores do sábado era o caráter político. A igreja de Belt Lane, sob a liderança de John Beicher, possuía muitos membros defensores da doutrina da quinta monarquia, e que foram presos por ser uma doutrina subversiva para o Estado Britânico. O governo destes dias nem sempre era muito cuidadoso na avaliação das crenças particulares de cada cidadão e assim muitas vezes a pessoa era culpada por "associação", ou seja, se alguns batistas do sétimo dia professavam esta doutrina subversiva, na mente de muitas autoridades "todos eram farinha do mesmo saco", e portanto deveriam ser perseguidos até serem desbaratados. Assim, por motivo de segurança, tanto indivíduos como congregações, muitas vezes tinham que espalhar-se e mudar de endereço.
 
Assim posto que alguns historiadores definem a falta de organização como a grande causa, o fato é que as diferenças entre eles eram muito maiores do que a fator comum que era o sábado. No final do décimo nono século um pastor Batista do Sétimo Dia observaria: "Eles não subordinavam seu calvinismo, arminianismo e outras teorias controvertidas à necessidade de ensinar e pregar uma doutrina que exigisse sacrifício, esforço e devoção, cinqüenta e duas vezes ao ano, a cada ano de suas vidas."
 
Resumindo, a falta de organização no sentido de integrar em um só corpo os crentes, a diversidade de crenças, com predomínio do calvinismo, que não estimula o trabalho missionário e o envolvimento com uma doutrina subversiva, "os homens da quinta monarquia", a falta da prática de dízimos e ofertas, dependendo só de eventuais donativos, todos estes fatores juntos constituíram um poderoso freio para brecar de tal forma a denominação que foi encolhendo até  desaparecer.
 
Existe ainda um fator, que é o mais importante. Nenhuma verdade deve ser exaltada acima de seu autor. Nenhuma doutrina acima de quem dá origem a ela. Por ser uma doutrina na época muito impopular, o sábado confundido com doutrinas judaicas, requeria uma defesa muito detalhada e especializada. No entusiasmo da defesa, os que advogavam o sábado, muitas vezes o apresentavam como ponto central da fé, deixando Cristo fora de foco. A toda poderosa Pessoa do Espírito Santo ajuda, suporta, dá a sua especial unção e benção à pregação que se centraliza na Pessoa do Salvador, clareando e glorificando sua vida, morte e ressurreição vicária. Qualquer doutrina, posto que santa, verdadeira e de amplo suporte na Palavra de Deus, que receba maior ênfase do que o autor da doutrina vira objeto de idolatria e perde a unção do Espírito Santo. O mérito para julgamento não está no fato do trabalho crescer, tornar-se gigante tipo uma "Universal do Reino de Deus", ou minguar até desaparecer como a "Batista do Sétimo Dia da Inglaterra". Hoje vemos verdadeiras "indústrias da fé" crescendo em um ritmo que dá vertigens para quem contempla, mas colocam a benção acima do autor da benção, saúde e riqueza recebem mais ênfase do que a salvação da alma. Progridem porque têm excelente organização empresarial, e utilizam profissionais de marketing e conceitos de psicologia para dopar a mente das pessoas. Mas a benção verdadeira esta na pregação cristocêntrica e que trata a salvação da alma, como de longe, a necessidade fundamental do ser humano. Onde está atuando o Espírito Santo, prega-se o que as pessoas precisam ouvir, e não o que querem ouvir, ao passo que na religião comercial prega-se o que as pessoas querem ouvir, por isto não admira que a religião comércio seja tão bem sucedida atraindo pessoas como o açúcar atrai as abelhas.
 

 


A América Colonial

 
Devido à famosa história dos peregrinos, que fugiam da Inglaterra, e de certos países europeus, e vinham para a América, almejando principalmente a liberdade de viver em harmonia com a sua fé, tem-se; muitas vezes, a impressão que eles eram a maioria entre os colonizadores. Mas este não é o fato, pois na realidade formavam apenas um percentual menor das massas humanas que lotavam os navios que se dirigiam para o "novo mundo". A maioria era classificada pelos historiadores religiosos da língua inglesa como "unchurched", ou seja, "desagregados", que não freqüentavam nenhuma igreja. Isto tornou necessário o reavivamento religioso que se seguiu e que trouxe muitas pessoas para Cristo, dando origem ao agressivo estilo do cristianismo americano.
 
O próprio nacionalismo americano foi se desenvolvendo de forma paralela, e influenciado pelo desenvolvimento das organizações religiosas. Principalmente as congregações batistas americanas, surgiam através de um "covenant" (pacto ou concerto) feito entre um grupo de pessoas que se constituíam uma congregação e em uma breve declaração, delineavam seus princípios fundamentais de fé e compromissos mútuo de amor, serviço, adoração conjunta e o dever de expandir a fé.
 
Começava em geral com as palavras "nós, as pessoas que... e no final recebia as assinaturas dos pactuantes".
 
A constituição americana começava no mesmo estilo e terminava com a assinatura dos declarantes. Considerada a mais perfeita constituição do mundo reflete os princípios, de liberdade de consciência e de defesa dos direitos humanos por muitos colonizadores cristãos, especialmente os batistas. Alexis de Tocqueville, célebre escritor francês, contrastou as realidades americanas e francesas da época. Na França de então o espírito religioso e o espírito de liberdade marchavam em direções opostas, enquanto na América seguiam de mãos dadas, na mesma direção.
 
É certo que alguns grupos como os puritanos tiveram um pouco mais de dificuldade de acertar o passo com este clamor de liberdade que se ouvia na América. Na colônia de Massachusetts, por exemplo, os puritanos ortodoxos diziam: "Todos os familistas, Antinomianos, Anabatistas e outros entusiastas têm toda a liberdade de se manterem longe de nós".
 
Havia três áreas na primitiva América colonial, em que a liberdade religiosa era garantida, Rhode Island, Pensilvânia e Maryland.
 
Ao fim do período colonial (cerca de 1750) a tolerância religiosa já estava difundida. A diversidade de crenças, bem como os enormes contingentes de descrentes, aliado ao desejo das colônias de atrair gente para a colonização mais rápida de seus territórios, provocou o abrandamento das exigências legais na parte religiosa.
 
A colônia de Rhode Island, desde o seu início, foi estabelecida sobre o principio da completa separação entre o governo e o estado. Foi um dos primeiros governos do mundo a garantir completa liberdade religiosa. Tal façanha tem sido creditada ao famoso Roger Williams, considerado o patriarca dos batistas americanos. Mas o fato é que possivelmente o principal mérito seja do Dr. Clarke, que inclusive foi para a Inglaterra de Cromwel, pleitear junto ao governo inglês a concessão de privilégios especiais, no sentido de haver completa liberdade religiosa em Rhode Island.
 
Em Massachusetts houve perseguição aos que não praticavam o batismo infantil. O tribunal os consideravam seguidores do demônio e em certa ocasião o Dr. Clarke e John Crandall pagaram pesada multa, e Obadiah Holmes por recusar-se a fazê-lo foi açoitado em público com 30 chibatadas, por motivo de realizarem batismo por imersão dentro do território puritano. Por uma ironia muito grande, que por algumas vezes caracterizam a vida humana, o Dr. Clarke estava entre os que na igreja de Newport se opuseram fortemente aos guardadores do sábado, o que levou à fundação da primeira Igreja Batista do Sétimo Dia.
 

 


As colônias Centrais

 
As colônias centrais na América continham a maior mistura de povos e crenças de todos os assentamentos no Novo Mundo. Incluía grupos como Holandeses reformadores, Quakers Ingleses, Luteranos Alemães reformados, Menonitas, Dunkers, Schwenkfelders, Batistas Welsh, Luteranos Alemães, Moravianos e Presbiterianos da linha escocesa/ irlandesa. Em adição, havia povoamentos católicos romanos em Maryland e Deleware. A atração destes territórios era devido à tolerância religiosa derivada de razões teológicas e práticas.
 
William Penn, fundador da Pensilvânia em 1681, tinha fortes convicções concernentes aos direitos individuais. Ele mantinha que a perseguição era um pecado contra Deus, pois atentava contra a luz interior (doutrina chave dos Quaquers) e contra a graça divina, em seu documento "A forma de governo da província da Pensilvânia na América", continha provisões para a liberdade religiosa. Mas não era uma liberdade total, pois discriminava descrentes e guardadores do sábado.
 

 


Lord Baltimore

 
A primeira declaração de tolerância religiosa na América foi feita em 1632, no estado de Maryland, dirigida por Cecil Calvert, conhecido corno Lord Baltimore. Primeiro ele tinha em mente fazer um verdadeiro santuário para católicos romanos, mas por receio de não recrutar pessoas suficientes e também de provocar forte oposição na América essencialmente protestante, abriu a oportunidade para todas as religiões. Na legislação feita para governar seu estado, não só garantia liberdade religiosa irrestrita, como aplicava uma multa a qualquer pessoa que pronunciasse o nome de uma religião ou lideres em funções eclesiásticas de forma pejorativa, com o fim de escarnecer.
 

 


Elias Keach

 
Na multidão de imigrantes atraídos pelo pensamento e liberdade do povo americano veio Elias Keach, filho de um proeminente pastor de Londres. Ele não era Cristão professo, mas se fez passar por pastor, após chegar à América. No meio de uma pregação, o Espírito Santo o quebrantou por sua conduta enganosa e ele pediu perdão à congregação. Tornou-se notório o caso do jovem que se converteu com a própria pregação. Elias Keach se tornou notável pastor e evangelista.
 
Era cheio de vigor, juventude e tinha grande capacidade de organização. Inúmeras igrejas surgiram como fruto de seu ministério, e das congregações por ele originadas saíram muitos Batistas do Sábado. Pelo menos quatro congregações Batistas do Sétimo Dia separaram-se das igrejas que surgiram do ministério de Elias Keach.
 

 


As primeiras igrejas Batistas do Sétimo Dia na América

 
São três os centros originadores de igrejas Batistas do Sétimo Dia na América, igreja de Newport em Rhode Island, Philadélfia na Pensilvânia e Piscataway em Nova Jersey. Cada uma surgiu sob diferentes circunstâncias e de diferentes origens. A igreja de Newport foi formada do povo que fugiu da perseguição dos puritanos intolerantes da baia de Massachusetts. Em Philadélfia predominavam os imigrantes de origem Quaker que vieram em busca de liberdade política e econômica. A igreja de Piscataway foi muito influenciada pelos peregrinos da colônia de Plymonth.
 
Stephen Munford era guardador do sábado já na Inglaterra, antes de emigrar para a América e fazer parte da igreja de Newport. Os guardadores do sábado de Newport também foram influenciados pela correspondência com pastores Batistas do Sétimo Dia da Inglaterra, formando assim a legítima continuidade dos Batistas do Sétimo Dia ingleses.
 
Em Philad6lfia, Abel Noble estava, em uma controvérsia entre Quakers, debatendo sobre a igreja ideal que seguisse ao pé da letra os ensinamentos bíblicos, como nos tempos apostólicos. O resultado foi a fundação de uma congregação que guardava o sábado.
 
Edmund Dunham era um líder batista em Piscataway (N.Jersey) que foi desafiado no tocante ao sábado. Ele e outros companheiros ao quererem provar pela Bíblia a santidade do domingo, encontraram nesta somente o sábado como dia santo, e em conseqüência surgiu ali uma congregação de batistas do sábado.
 

 


Stephen Mumford

 
S. Mumford foi o primeiro Batista do Sétimo Dia conhecido na América, onde chegou em 1664. Documentos históricos (correspondências) deixam dúvidas se na Inglaterra ele estava unido somente à igreja Tewkesbury em Glaucestershire (1661) ou se foi membro também da igreja Batista do Sétimo Dia de Bell Lane em Londres com a qual mantinha correspondência depois de mudar para a América.
 
A igreja de Tewkesbury era mista, composta de observadores do sábado e do domingo, e assim também aconteceu na igreja de Newport, Rhode Island.
 
Não se sabe de nada sobre sua vida na Inglaterra nem sobre os motivos que o fizeram vir para a América. No entanto em Rhode Island no espaço de dez anos se tornou cidadão proeminente com direito de participar do governo da cidade. Presume-se que devido à sua influência muitos Batistas da igreja onde congregava passaram a aderir à guarda do sábado. Entre estes estavam Samuel e Tacy Hubbard e família.
 

 


Samuel e Tacy Hubbard

 
Poucas pessoas nos tempos coloniais deixavam tantas crônicas e memórias como Samuel Hubbard. Muito do seu jornal e de suas cartas foram copiadas e extratos foram muito usados como fonte primária de ações e pensamentos, durante a parte final do décimo sétimo século. Em 1647, na localidade de Fairfield, aceitaram os pensamentos básicos batistas. Especialmente Tacy adquiriu uma convicção férrea de que só fazia sentido ministrar o batismo a pessoas que realmente se tornaram crentes no Senhor Jesus. O casal chegou a ser ameaçado de castigos e prisões, mas lembraram o conselho do Mestre, se, vocês forem perseguidos em um lugar, mudem-se para outro lugar. Em 1648, o casal se estabeleceu em Newport onde foram batizados por John Clarke e aderiram à igreja Batista. Em 1665, os Hubbard’s aceitaram o sábado do Sétimo Dia. Ele recordou o fato em seu jornal com as seguintes palavras: "Minha Mulher decidiu guardar o Santo Sábado do Sétimo Dia no dia 10 de março de 1665, eu aderi no dia 01 de abril de 1665. Nossa filha Ruth em 25 de outubro de 1666, Raquel, 15 de janeiro de 1666, Bethiah 1666, nosso filho Joseph Clarke 23 de fevereiro de 1666". Crê-se que conheceram o sábado através do irmão Mumford. Através de correspondência de Hubbard com a igreja Batista do Sétimo Dia de Bell Lane, de Londres, pode-se constatar que conheciam o livro de Stennett, e que o grande debate que agitou a Inglaterra, sobre o verdadeiro dia de guarda, ecoou na América.
 

 


Nasce uma igreja

 
Muito embora a data de 1671 é dada como a data em que nasceu a primeira congregação Batista do Sétimo Dia na América, o fato é que houve um considerável tempo de gestação, acompanhado de desconforto e penosos labores. Os nossos pioneiros americanos receberam aconselhamento dos dois lados, a igreja batista de Boston e a Batista do Sétimo Dia de Bell Lane, Inglaterra. Os batistas de Boston aconselharam os pioneiros guardadores do sábado a não separarem da congregação de Newport. Foram dias difíceis pois dois casais, Nicholas Wyld e esposa, e John Salmon e esposa, aderiram ao sábado elevando a 11 pessoas o grupo de guardadores do sábado e depois desertaram falando mal do sábado, deixando entristecidos os irmãos.
 
Em 1671, a crise atingiu o clímax com a pregação de Holmes contra os sabatarianos acusando estes irmãos de estarem desviando os crentes de Cristo e conduzindo-os a Moisés. Stemth de Londres, bem como a Igreja Londrina de Bell Lane aconselharam a separação todavia de forma pacífica sem interromper a comunhão Cristã com batistas do primeiro dia. A separação ocorreu em 07 de dezembro, e o "covenant" (pacto) foi assinado dezesseis dias mais tarde, 23 de dezembro, isto pelo calendário antigo modificado por volta de 1750; quando pelo atual calendário as datas são 18 de dezembro e 03 de janeiro 1672, respectivamente.
 
Na seqüência a nova igreja mantém bom relacionamento com a igreja mãe. O pastor da primeira igreja Batista do Sétimo Dia em Newport foi William Hiscox. Este por algum tempo pastoreou a igreja-mãe, quando esta ficou um bom período sem pastor.
 
A congregação sabatariana se relacionou bem com John Corner, que veio pastorear a igreja batista de Newport, havendo freqüentes intercâmbios de pregadores entre a igreja do primeiro e do sétimo dia. No tempo da guerra da secessão a congregação de Newport (do sétimo dia) deixou de existir, mas na realidade teve continuidade através das congregações que surgiram no oeste do estado, para onde se mudaram seus membros.
 

 


A área de Philadélfia

 
Cerca de trinta anos após a organização da igreja de Newport, o segundo grupo de guardadores do sábado teve o seu inicio em Pensilvânia.
 
Um caldeirão de culturas, línguas e ideologias religiosas, principalmente do continente europeu, produziu várias pequenas igrejas guardadoras do sábado que desapareceram no décimo nono século, exceto a comunidade alemã de batistas do sétimo dia de Epharata. A origem das congregações por muito tempo existentes na Pensilvânia no período em foco não é bem conhecida, mas tem a haver principalmente com os Quakers.
 

 


Abel Noble

 
Segundo se sabe Abel Noble foi a primeira pessoa a guardar o sábado na colônia de Pensilvânia.
 
Abel Noble nasceu em Bristol na Inglaterra em 1.665. Seu pai foi um próspero mercador quaker que criou seu filho na tradição de George Fox e William Penn. Em 1.684 Abel Noble veio com outros quakers que fugiam da perseguição e se erradicaram nas margens ocidentais do rio Deleware em "Penns Woods" ou Pensilvânia. Embora Os quakers não acreditassem em clérigos profissionais, havia os que tinham dons de exortação; e Abel Noble era um destes.
 
Abel Noble se tornou um pregador itinerante e agitador que se tornou o defensor do sábado e batismo por imersão. Sentia-se tão bem no púlpito de uma igreja como nas escadarias do tribunal. Sua influência foi além dos círculos quakers estendendo-se aos pietistas alemães. Ele mais alguns guardadores do sábado tiveram contato com lideres tais como Johanes Kelpius. Eles contribuíram para que Conrad Beissel aceitasse o sábado e portanto para a formação da primeira Igreja Batista do Sétimo Dia alemã, em 1.728. Beissel e seus seguidores depois mudaram para Ephrata onde fundaram uma comunidade semimonástica conhecida como os cloister, isto em 1.733.
 

George Keith

 
George Keith, ministro presbiteriano da Escócia veio para a América após sofrer muitas perseguições em seu país de origem. Tornou-se quaker na América e depois dirigiu um movimento dissidente com o apoio de Abel Noble. Chegou a ser governador da parte leste de Jersey. Voltou para a Inglaterra onde passou algum tempo e tornou-se ministro da igreja da Inglaterra. Em 1.702 retornou à América como missionário Episcopal.
 
A declaração de fé Keithiana que fez quando dissidente dos quakers deu especial importância à Biblia e a lei de Deus. Especificou que não se deveria usar os nomes pagãos de uso corrente para os dias da semana e do mês. Os dias da semana deveriam ser primeiro dia, segundo dia  terminando com o sétimo dia. Isto ajudou as pessoas de língua inglesa a compreender que o sábado e o sétimo dia são equivalentes e portanto é o dia que a Bíblia declara santo.
 

 


Henry Coster

 
Foi um pregador luterano que operou grande reavivamento e reconduziu à igreja a dissidência Keithiana, deixada órfã pelo líder desertor.
 
Henry Coster batizou alguns batistas do sétimo dia como William Davis e Thomas Rutter. Adquiriu convicção quanto ao sábado, mas não conseguiu desvincular-se de sua formação luterana. Um colega seu, o pastor Jonas Auren, no entanto, aceitou o sábado juntamente com sua família. Foi chamado perante o governador e intimado a abandonar sua convicção, mas defendeu com tal ardor sua fé que obteve garantia do direito de viver de acordo com sua fé, ele e sua família, mas não deveria mudar o ritmo dominguista de sua congregação luterana.
 

William Davis

 
Nascido em Wales, atendeu à universidade de Oxford visando o preparo para a ministério evangélico. Aceitou as crenças quakers e abandonou o curso antes de formar-se. Veio para a América fixando-se naturalmente na Pensilvânia dos quakers. Polêmico, fez parte da dissidência liderada por Keith, vindo a conhecer princípios de fé batista com o Pr. Thomas Killingsworth. Integrou a congregação batista de Pennepeck onde foi convidado a ser o pastor, mas foi expulso dois anos mais tarde por ter opiniões heréticas a respeito da pessoa de Cristo.
 
Seu contato com Noble durante a dissidência Keithiana ô convencera da supremacia da lei moral e da necessidade de guardar o sábado. Tornou-se pastor batista pastoreando sucessivamente em Pennepeck, Rhode Island e Shrewsburry, (Nova Jersey). Foi leal à denominação mas seu temperamento e pontos de vista não ortodoxos causavam controvérsias em todas as igrejas que pastoreou. Alguns descendentes de W. Davis proveram núcleos de migração em uma região que agora é conhecida como Virginia do Oeste.
 

Thomas Rutter

 
Thomas Rutter foi um nome de grande importância na área de Philadelphia. Batizado em 1.696 por Henry Koster, passou a integrar o núcleo formado por Koster, William Davis, Thomas Boyer, que desafiaram muitas das crenças e práticas do quakerismo. Ambos, Rutter e Koster escreveram tratados aos quais um luterano alemão respondeu escrevendo o livro "Henry Koster, Willam Davis, Thomas Rutter e Thomas Boyer, quatro pessoas cheias de vanglória, repreendidas brevemente de acordo com sua tolice". Rutter era considerado um eficiente evangelista que viajava pela região, e a quem se creditou muitos batismos. Foi um dos que trouxeram a verdade do sábado para Conrad Beissel e a Igreja Batista do Sétimo Dia dos alemães.
 
C.H.Greene descreveu Thomas Rutter como um homem "de um critério muito sádio e de uma excelente doutrina". Sempre que problemas e frustrações surgissem nas igrejas sabatarianas de Pensilvânia, e elas estivessem passando por maus momentos, Thomas Rutter era o homem que invariavelmente era chamado para trazer uma palavra de encorajamento e conforto.
 

Igrejas na área de Philadelphia

 
A rejeição das doutrinas quakerianas, segundo as quais a inspiração e iluminação interior surge espontaneamente no coração do homem, ou melhor, é uma qualidade inerente da humanidade, deixou muitas pessoas receptivas aos princípios de fé batista e ao sábado.
 
Muitas informações sobre os batistas do primeiro dia e também do sétimo dia, nesta área provém da obra de Morgan Edwards que pesquisou e publicou em 1.770 matéria sobre os batistas da Pensilvânia, que identificou quatro igrejas batistas do sétimo dia estabelecidas na área de Philadelphia, como resultado de tradições quaker-batistas.
 

Providências superiores, Newtown, Pennepeck

 
Nestas áreas surgiram algumas pequenas congregações batistas do sétimo dia, mas foram desestabilizadas e absorvidas pela igreja Episcopal, como os americanos chamavam a Igreja da Inglaterra. Em 1.698 George Heith retornou da Inglaterra acompanhado do missionário episcopal Evan Evans dotado de extraordinário poder de persuasão, Evan Evans atacou as pequenas congregações ganhando seus lideres. Atacou também batistas do primeiro dia que tiveram que unir fatos com os do sétimos dia, para fazer frente à Evans, pois também sofreram perdas. Além de seu dote de persuasão, Evan Evans se aproveitou do fato de que a opinião pública nestes dias estava sofrendo de crescente aversão por doutrinas dissidentes como quakers e batistas.
 

Montaneal ou French Creek

 
Em 1.722, na localidade de Montaneal (French Creek) a trinta e duas milhas de Philadelphia, se forma a maior congregação da área, a única com prédio próprio. Ela gerou mais algumas congregações, que no entanto tiveram vida curta, possivelmente devido a movimentos migratórios.
 

Nothingham

 
Uma outra igreja na área de Philadelphia localizava-se na parte sudoeste de Chester County, próximo à fronteira de Maryland, em Nothingham. Os principais líderes eram Samuel e Richard Bond, em cuja casa em Cecil Country, Maryland, eles muitas vezes se reuniam. Esta congregação sofreu muito com a lei, estadual pró-domingo e anti-sábado, do estado de Maryland, promulgada em 1.794. Assim os guardadores do sábado foram muito prejudicados, pois tinham que além do sábado, guardar o domingo, ficando dois dias parados na semana. Os movimentos migratórios para o oeste de Virginia acabaram com esta congregação.
 
Um conhecido teólogo batista, Elhanan Winchester visitou ambos, os batistas do sétimo dia de língua inglesa e a igreja batista do sétimo dia alemã de Ephrata. Seu testemunho foi: "Nunca vi cristãos como estes, que tomam as Escrituras como seu único guia, em matéria de fé e prática. São trabalhadores, sóbrios, temperantes, gentis, um povo caridoso, não invejam os que têm muito e não desprezam os pobres. Eles lêem muito, eles oram e cantam muito, participam constantemente dos serviços de culto, suas casas são casas de oração: eles andam sem mácula observando as leis e ordenanças do Senhor Deus, tanto em público como de forma privada... Tudo que eles crêem seu Salvador ordena, e isto eles praticam sem perguntas se o povo em geral também o faz."
 

As origens da igreja em New Jersey

 
No tempo em que New Jersey fazia parte da possessão inglesa na América, o governo inglês ofereceu muitas vantagens e 150 acres de terra para os ingleses que quisessem partir para a América. Entre as vantagens constava a liberdade religiosa de fé e prática de culto. O governo inglês agiu assim para assegurar a posse da colônia. Muita gente na Inglaterra se interessou pela oferta, inclusive dissidentes religiosos como quakers e batistas e outros. Nova Jersey também atraiu americanos mesmos, como os batistas da Nova Inglaterra que sofriam perseguições na colônia puritana.
 

Piscataway

 
Em 1666 Hugh Dunn, John Martin, Hopewell Hull, e Charles Gilman asseguraram suas posses de terra em New Jersey, isto entre Rohway e Raritan Rivers. Eram refugiados batistas que se estabeleceram às margens do rio Piscataqua que separava New Hamp-Shire do Maine. A data da fundação da igreja em Piscataway apresenta um problema. Fontes históricas diversas apresentam duas datas, 1686 e 1689, sendo que não se sabe qual é a mais correta. John Drake foi o primeiro pastor desta igreja e apartou-se a congregação guardadora do sétimo dia em 1.705.
 
Em um domingo Edmund Dunham estava a caminho para realizar seus serviços religiosos. A caminho viu seu cunhado Hezequiah Bonhan realizando "trabalho servil" proibido no "sábado do senhor" (domingo na realidade). Dunham julgou ser um dever cristão advertir este transgressor da lei de Deus, e intimou o cunhado a suspender de imediato o trabalho.
 
Bonham surpreendeu a Dunham com o desafio que este provasse pela Bíblia que a primeiro dia da semana fosse santo, baseado em algum mandamento de Deus. Em geral, se crê que Bonham fosse indiferente à questão do dia de guarda, embora desafiasse a Dunham, mas Dunham por sua vez não ficou indiferente ao desafio, pois para ele era muito importante saber se era verdade o que o cunhado lhe insinuara. Dunham comunicou a outros crentes o desafio que aceitara e muitos juntamente com ele se lançaram ao exame das Escrituras, e surpresos constataram que o sábado era o dia santo.
 
A polêmica jogou irmão contra irmão, diácono contra diácono, pastor contra pastor. Até em nossos dias existe uma escola nesta cidade chamada "Quibbletown" (cidade dos sofismas, trocadilhos ou discussão). Rememorando o evento, um monumento apresenta a seguinte inscrição: "Quibbletown- uma vila colonial, assim denominada por causa da dissensão sobre se o sábado ou o domingo é o Sabbath (dia santo). New Marquet, N.J. 1.830".
 
Por amor a paz Dunham e seus seguidores se apartaram da congregação no ano de 1.705 e entraram em "Covenant" (pacto) formando uma congregação batista do sétimo dia.
 
Dunham foi escolhido como pastor e foi a Rhode Island onde foi consagrado pela imposição das mãos por William Gibson, na congregação batista do sétimo dia de Newport.
 

O alcance dos "Covenants" (pactos) e relacionamentos associativos

 
O "covenant" é um documento formal, pelo qual um grupo de crentes, de livre e espontânea vontade entram em concerto, ou fazem um pacto, o que em inglês se chama "covenant", palavra muito rica em significado. No pacto (covenant) os signatários assumem através de algumas breves declarações, a obrigação de se tornarem obedientes a lei de Deus, de atuarem como uma comunidade de amor, exortando-se e aconselhando-se mutuamente no sentido de vivenciar uma experiência cristã marcada pelo amor e fidelidade a Deus e uns para com os outros.
 
Batistas do sétimo dia, no tempo dos pioneiros se mudavam para regiões distantes. Levados pelos movimentos migratórios procuravam continuar a manter a teologia do "covenant" (pacto).
 
Em novos lugares, novos pactos eram firmados e assinados pelos pactuantes que fundavam uma nova congregação, mas as pessoas procuravam simultaneamente cultivar seu relacionamento de fé e afetivo com as pessoas que firmaram o covenant na congregação de origem. Isto faziam através de cartas, por correspondência, por laços de família, por visitas pastorais, e encontros periódicos de representantes das igrejas.
 
A ênfase de independência e autonomia local, que gerações posteriores chamam como sendo essencial para a livre operação do Espírito Santo, não é encontrada na história das primeiras congregações. Eles acreditavam que Deus atuava na comunidade. Existia um relacionamento muito estreito entre igrejas como Newport, Westerly (mais tarde Hopkinton) ou Piscataway e Shiló onde laços de casamento e familiares uniam as igrejas. Estes relacionamentos eram religiosos, sociais e biológicos.
 

Newport e o alcance de seu Covenant

 
Por volta de 1660, membros da Igreja de Newport se estabeleceram em Naraganset Country, compreendendo a parte oeste da colônia de Rhode Island. A área foi comprada do chefe índio Sosoa, mas tornou-se área de disputa de Connecticut, Massachusetts. Tribos indígenas que afirmavam que Sosoa não tinha direito de vender a área, e também Rhode Island. O caso foi a julgamento no tribunal e muita gente foi presa inclusive alguns batistas do sétimo dia.
 
A guerra contra o rei Felipe (1675-1676) fez com que muitos se refugiassem com seus irmãos em Newport. Samuel Hubbard recorda em seu jornal. "Minha filha Burdick e suas 8 crianças e minha filha Clarke com suas 3 crianças, com seus respectivos maridos vieram para esta ilha com medo da guerra (Julho 1.675)."
 

 


Westerly ( First Hopkinton)

 
A organização formal e oficial da igreja ocorreu em 1.708, mas de fato a congregação já existia ali durante décadas. Os pioneiros, quase todos aceitaram o sábado em 1.666, como foi o caso das filhas e genros de Samuel Hubbard, Ruth, Rachel e Bethiá guardaram o sábado a partir de 1.666. Ruth casou com Robert Burdick, Rachel, co-fundadora da igreja de Newport, casou com Andrew Langworthys e Bethiá casou com Joseph Clarke, que também aceitou o sábado em 1.666. O ancião John Crandall, que morreu em 1.676, conduziu serviços de culto sabático de forma regular em sua casa durante muitos anos. Isto coloca a formação real da congregação distante mais de 30 anos antes de 1.708.
 
De acordo com Hubbard, em 1.678, sete dos trintas e sete membros de Newport estavam em Westerly. Em 1.692 os membros de Newport eram setenta e seis, sendo que, no entanto, parte deles congregavam em Westerly, pois estavam ligados ao mesmo "covenant’( pacto). A ceia do Senhor, decidiu-se no ano de 1.692 ocorreria a cada quatro semanas, alternativamente em Newport e Westerly.
 
Em 1.708 as duas congregações se separaram e Westerly firmou seu próprio pacto, mas continuaram muito unidas, não só por serem a mesma denominação, mas com pacto de assistência mútua sendo que o pastor Joseph Crandall de Newport batizava os novos conversos de Westerly. Westerly se tornou autônoma com 72 membros. Nos anos seguintes o trabalho cresceu e as duas igrejas se tornaram muito criteriosas e preocupadas com pessoas que quebravam o concerto (covenant). Transgredir o sábado ou faltar à ceia do Senhor eram consideradas ações graves e fazia com que toda a congregação se empenhasse na restauração dos que fraquejavam. Os pactos eram rigorosos nas exigências quanto aos princípios da igreja, mas por outro lado exigiam muito amor exortação mútua para fortalecer na fé.
 
As congregações discutiam e definiam conjuntamente matérias de fé, disciplina e aceitação de novos membros.
 
No fim do décimo oitavo século havia 764 membros na velha Westerly (A esta altura chamada First Hopkinton). Em 1.816 o número havia aumentado para 947 a despeito de muitos terem abandonado esta localidade fundando igrejas filhas em outros territórios.
 

Influência do "covenant" de New Jersey e Pensilvânia

 
Os batistas do sétimo dia das colônias centrais concentravam-se em 4 pontos. Philadelphia. Piscataway, Gohansey(Shiloh) e Shrewsburry.
 
Estes pontos ficavam distantes, separados por regiões inóspitas e perigosas, o que reduzia a movimentação das pessoas e reduzia a quantidade de reuniões de culto. G.H. Greene descreve um encontro anual no mês de maio, na espaçosa mansão construída de pedra, do irmão David Thomas. Este relato demonstra a dedicação dos irmãos em manter a comunhão e a comunicação entre eles.
 

Shiloh, uma igreja com várias raízes

 
A igreja que é agora conhecida como Shiloh foi constituída como "A primeira congregação de batistas do sétimo dia residentes em Hopewell, no condado de Cumberland, estado de Nova Jersey". A congregação que formou esta igreja em 1.737 foi previamente identificada pelo nome de Cohansey. Ela tinha laços estreitos com as igrejas das áreas de Newport, Piscataway e Philadelphia.
 
Robert Ayar foi o primeiro que comprou terras na região do rio Cohansey em 1.685. Algum tempo depois comprou mais 2.200 acres, sobre os quais foi construída a cidade de Shiloh. Em 1.687 e 1.690 o Rev. Timothy Brooks dirigiu duas companhias distintas de migrantes que se estabeleceram na região. Batistas do primeiro e do sétimo dia se estabeleceram na região, sendo muito bom o relacionamento e comunhão entre eles.
 
Assim que a companhia de Bowen, (nome do grupo liderado pelo Rev. Timothy Brooks) se estabeleceu, logo foi construído um edifício para congregar, onde passaram a ser realizado cultos regularmente.
 
Além dos pastores Timothy Brooks e Samuel Bowen ministros itinerantes atendiam o trabalho neste lugar. Naqueles tempos haviam ministros itinerantes, que não se importavam com o desconforto e com o alto risco de vida, e que montados em seus cavalos empreendiam longas jornadas, cobrindo vastos e inóspitos territórios para dar assistência ao povo de Deus. Jonathan Davis era o mais famoso e bem conceituado entre estes evangelistas que atuavam no condado de Cohansey. Outro bem conhecido era Thomas Killingsworth, que também atendia Pennepeck, em Pensilvânia, Trenton, a cidade do já mencionado Jonatham Davis, Piscataway e Middleton, em Nova Jersey.
 
Jonhatham Davis propôs à congregação de Cohansey a assinatura de um "covenant" composto de nove artigos de fé, que os uniria em uma proposição pactual baseada em princípios bíblicos. Os artigos eram quase idênticos ao pacto assinado pela igreja de Piscataway, mostrando o estreito relacionamento existente entre as igrejas de New Jersey. Dezoito pessoas assinaram o documento em 27 de março de 1.737. Entre os signatários estava o jovem Jonathan Davis, neto de Jonathan Davis que propôs o "covenant". Jonathan Davis (neto) foi ordenado o pastor da nova congregação no ano seguinte. O terceiro pastor coincidentemente também se chamava Jonathan Davis, mas não era parente dos dois primeiros.
 

Shrewsbury

 
A terceira igreja estabelecida em New Jersey foi a de Shrewsbury no condado de Monmouth, próximo ao oceano Atlântico. À semelhança de Piscataway e Cohansey, esta foi uma região de considerável atividade batista. Não foi longe de Middietown onde Elias Keach e Thomas Killingsworth pregavam em seu circuito de atendimento. Das trinta e duas pessoas cujos nomes constavam na carta patente que distribuía as propriedades constituindo a colônia em meados do ano de 1.640, dezoito eram batistas, e as esposas de muitos dos restantes também eram batistas. A carta magna que receberam do governo rezava: "Eles terão total liberdade de consciência, com garantia de não serem molestados ou perturbados, no que quer que seja em seu culto". Nisto a carta magna da colônia contrastava com a da colônia congregacional em Newark, New Jersey, emitida em 1666, que provia que somente congregacionais poderiam ser admitidos na qualidade de cidadãos, e qualquer pessoa que tivesse opiniões religiosas divergentes, deveria guardá-las para si mesmo ou deveria abandonar o lugar.
 
A primeira igreja Batista de Shrewsbury foi formada em 1.668. Alguns de seus membros eram imigrantes da Inglaterra, mas nomes como Jonathan Holmes e Obadiah Holmes Jr. mostram a presença de colonizadores de Newport. A garantia da liberdade de culto e os estreitos laços com Newport encorajaram os batistas do sétimo dia em se estabelecer no condado de Monmouth. De comum acordo cerca de quinze membros de Westerly (Hopkinton) que viviam na área de Stonington, Connecticut, se mudaram para Shrewsbury em 1.745. Eram dirigidos pelo rev. William Davis que vinha sendo um dos líderes entre os batistas do sétimo dia em Philadelphia e que mais tarde mudou-se para Rhode Island. Com ele vieram três filhos e suas famílias, John Thomas e Joseph. Outros nomes incluíam Maxsan, Stillmam, Babcoke e Brand. Uma carta escrita em 1.750 à igreja de Rhode Island discutindo o assunto do lava-pés revela o seu senso de ligação pela força do "covenant".
 
Em setembro de 1.789 esta igreja emigrou como um corpo para Virginia do Oeste, onde formou um núcleo da igreja de Salém. Ao reorganizar-se o mesmo velho livro de registro, de capa de couro, foi levado junto.
 
Os registros históricos demonstram o que houve através dos séculos:
1º) União gerada pela fidelidade aos governantes, dos quais a de Newport era um modelo original;
2º) União causada por casamentos. Ainda hoje existem famílias na igreja, descendentes dos pioneiros;
3º) Esforços constantes de se fortalecerem mutuamente na fé;
4º) Movimentos migratórios abriram a oportunidade de levar o evangelho para muitos lugares onde ainda não era pregado. 
 

Separados, mas não sectários

 
 À medida que batistas do sétimo dia emigravam para novas localidades, eles mantinham relacionamentos "covenantais" cimentados por estreitos laços familiares, encontros anuais, celebrações conjuntas de cultos e ceia, troca de delegados e cartas circulares. Eles estabeleceram colônias nas quais os membros podiam participar na guarda do sábado bíblico.
 
Eles foram fortalecidos por migrações de outros que vinham à procura de integração em comunidades nas quais existissem melhores condições para praticarem suas convicções. Como frisou o historiador batista, Dr Winthrop Hudson: "Batistas do sétimo dia têm sido separados, mas não sectários. Sua devoção tem sido muito mais profunda e suas convicções muito mais fortes do que muitos membros das igrejas (rum of the mill). Esta tem sido a realidade deles para poderem sobreviver. Mas eles não tem mente estreita. Eles tem sido fiéis àquilo que têm crido através das  Escrituras. Eles não têm feito de seu único ponto de diferença um intransponível muro de separação entre eles e os outros cristãos. Eles têm se recusado a acusar aqueles que não se harmonizam com a sua prática considerando-os como não pertencendo ao rebanho de Cristo".
 
Na Inglaterra esta posição aberta foi demonstrada pela presença de guardadores do sábado dentro de outras denominações e por ministros batistas do sétimo dia que pregavam em igrejas batistas e independentes.
 
Esta ecumenicidade transpôs o oceano, sendo praticada nas colônias americanas. A igreja batista de Newportt, da qual a batista do sétimo dia se separou, estava sem liderança pastoral em 1694. Os registros revelam que eles decidiram se colocar, por voto comum, sob as cuidados pastorais do rev. William Hiscox da igreja Batista do sétimo Dia. Durante uma boa parte do século dezoito, uma capela situada nas costas de Green En foi compartilhada por várias igrejas Batistas em Newport para seus serviços batismais. O ancião William Bliss, de Newport ajudou a preservar o testemunho batista durante o período da ocupação britânica nesta cidade, à medida que ele visitava e encorajava membros de igrejas sem pastor nesta área.
 

Responsabilidades Políticas

 
A história dos Batistas do Sétimo Dia também demonstra o seu senso de responsabilidade política. Muitos membros das igrejas de Newport e Hopkinton tinham posições de liderança na colônia de Rhode Island. Richard Ward serviu como governador de 1740 a 1742 e dois de seus filhos serviram como secretários de estado por período de 50 anos, 1747 a 1797. O terceiro filho, Samuel, representava Westerly na assembléia geral. Ele tornou-se chefe do poder judiciário da colônia em 1761 e em 1762 foi eleito governador. Em 1774 ele foi membro do primeiro congresso continental, no seguinte ele foi presidente do comitê, como um todo do segundo congresso continental. Ele teria sido um dos signatários da declaração de independência se não tivesse morrido três meses antes, de varíola.
 
Muitos Batistas do Sétimo Dia serviram como oficiais e soldados durante a revolução. Ebenezer David foi um capitão que ministrava às tropas até que contraiu tifo e morreu em 1778. Rev. Jacob Davis servia como capelão na área de Shrewsbury, mas retornava freqüentemente para ministrar à sua própria igreja. Outros se envolviam de forma mais passiva. A igreja de Piscataway estava localizada bem no centro da área de ocupação e as pessoas que a compunham sofriam grandemente.
 

Coragem civil

 
Outros Batistas do Sétimo Dia eram levados, pela sua leitura das escrituras e sua consciência, para uma posição pacifista. John Horn, um pastor das igrejas da Pensilvânia foi preso e multado por ser um opositor por motivo de consciência. Ele foi finalmente libertado em conseqüência de um apelo a um conselho presidido por Benjamim Franklin. Os batistas do sétimo dia alemães de Ephrata, também mantiveram uma posição de pacifistas, mas envolveram-se na guerra oferecendo ajuda humanitária. Ao findar a batalha de Brandywine em 1.777, o general Washington sugeriu que os feridos fossem transportados para Ephrata onde sabia que receberiam cuidados e seriam assistidos com amor fraternal. Como resultado do tifo e febre, muitos dos irmãos e irmãs foram contagiados e morreram também. Duas de suas melhores construções foram destruídas pelo fogo porque estavam contaminadas pelos focos contagiosos das enfermidades.
 
Desobediência civil foi à dura escolha que alguns fizeram quando sua crença e obediência ao mandamento do sábado entraram em conflito com leis estatais discriminatórias. Em 1794, a Pensilvânia emitiu lei discriminatória contra o sábado à qual se opuseram os batistas do sétimo dia. Uma petição que incluía as assinaturas de muitos de seus vizinhos foi apresentada à legislatura. Os que faziam a petição requeriam a suspensão dos castigos previstos na lei, para os que conscienciosamente guardavam o sábado do sétimo dia. O conflito veio, quando Richard Bond, membro da igreja do sétimo dia de Nottingham foi indicado a compor o júri. Ele serviu fielmente até ao entardecer de sexta feira, quando pediu para ser dispensado, declarando que era contra a sua consciência servir no sábado. O juiz o chamou de hipócrita e ordenou que servisse.
 

A Expansão no décimo oitavo e nono séculos

 
O término da guerra contra a Inglaterra trouxe incentivos políticos e geográficos para as emigrações rumo ao oeste. O desenvolvimento da democracia foi de capital importância para o crescimento das denominações batistas. O individualismo e a autonomia da igreja local eram bem adequados às situações nas fronteiras avançadas e também fechavam bem com o pensamento batista.
 
O tratado de Paris, que terminou a guerra, quase dobrou o tamanho dos Estados Unidos. Futuros desenvolvimentos de rodovias militares proveram rotas de acesso para dentro e além das montanhas Apalaches, que haviam mantido a jovem nação ligada às costas do Atlântico. Esta expansão de terras despovoadas atraiu o povo tal que um imã atrai a limalha de ferro, acenando com novas oportunidades econômicas, sociais e religiosas. Para batistas do sétimo dia, a fronteira avançada oferecia a oportunidade de estabelecer colônias onde podiam ser livres para praticar o estilo de vida coerente com suas crenças e princípios religiosos.
 

As migrações para os estados de Ohio e Virginia do Oeste

 
Um dos exemplos mais dramáticos de movimentos migratórios ocorreu em 1789 entre membros da igreja de Shrewsbury ao norte de New Jersey. Membros da igreja local decidiram vender o templo e emigrar para o oeste. Dez famílias decidiram colocar seus pertences em carroções e jornadearam até chegar às partes selvagens de Virginia do Oeste. A eles se juntaram outros das igrejas de Piscataway e da área da Philadelphia, de modo que 70 pessoas participaram ao todo deste êxodo. Eles pararam por algum tempo no condado de Fayette, na Pensilvânia, onde uma igreja tinha sido estabelecida em Woodbridgetown, fundada por irmãos vindos de Piscataway e conversos batistas da congregação local do primeiro dia. Deste portal de acesso, o êxodo moveu-se rumo ao sul subindo junto ao rio Monangahela até Ten Mile Greek. Em 1792 foi constituída a igreja de Salém, em Virginia do oeste, embora os registros a definam como uma extensão da igreja de Schrewsbury. Ao longo do século seguinte mais de uma dúzia de igrejas foram estabelecidas entre as montanhas e cursos d’água de Virginia do Oeste em lugares tais como Lost Creek (1.805), Middle lsland (1.832), Berea (1.870), Greenbrier (1.870) e Roamoke (1.872).
 
Desta área do oeste de Virginia (que se tornou o estado de Virginia do Oeste durante a guerra civil) uma corrente migratória cruzou o rio Ohio adentrando o velho território a noroeste. Os assentamentos de batistas do sétimo dia foram feitos em Todd-Fork, Mud Run, Mad River e Morth Hampton no Ohio.
 
A igreja de North Hampton foi estabelecida em 1837. Outras igrejas se seguiram, Jackson Center (1.840), Porth Jefferson (1.840), Stokes (1.842), e Sciota (1.842).
 
A partir destas igrejas a migração continuou adentrando Indiana, Illinois e Iowa. Eles se uniram com outros e se estabeleceram em áreas da grande planície.
 

As migrações de Nova York

De Rhode Island e Connecticut, a rota dos batistas do sétimo dia os conduziu a Housatonic Valley no condado de Rensseler, no estado de Nova York, onde eles estabeleceram uma igreja em Berlim, em 1.780. Posteriores migrações dirigiram-se para a Mohawk Valley, na área central do estado de Nova York. O governo dispunha de terras, incluindo áreas do exército, reservadas aos veteranos da guerra da independência. Cerca de 1791, muitas famílias migraram para ocupar estas áreas e convidaram muitos amigos e conhecidos a se unirem e eles. Em 1.797 se encontravam no condado de Madson quantidade suficientes de membros originários da igreja de Hopkinton, para formar uma congregação em Brookfield. Seguiu-se a formação de outras congregações, a de DeRuyter (1.806), Verona (1.820), Adams (1.822 e a 2ª e 3ª igreja de Brookfield em (1.823).

 
Em adição a estas que sobreviveram no século vinte, existiram mais de doze que sobreviveram por uma geração ou duas antes de sucumbir face aos movimentos migratórios e outras perdas. Em 1844 uma irmã que fazia parte da congregação de Verona, Rachel Oakes Preston, passou o conhecimento do sábado a dois pastores do movimento millerita, em Washington, New Hamphire. Os escritos de um destes ministros levou o sábado para os adventistas do sétimo dia.
 
Em 1.792 a barragem de Catskill foi aberta ligando o rio Hudson com as cabeceiras do rio Susquehanna em Nova York. Em 1.806 muitas famílias da igreja de Berlim emigraram para o condado de Aleganny. A eles se juntaram outros de Rhode Island e da área central de Nova York. Em 1.816 uma igreja batista do sétimo dia foi organizada em Alfred, Nova York. Migrações posteriores a partir destas áreas geraram a um conglomerado de igrejas em Nib (1.825), Little Genesee (1.827) Richburg (1.827) Alfred Station (1.831) e Independence (1.834). Alguns aventuraram algumas milhas para o sul, adentrando o norte de Pensilvânia, onde igrejas foram estabelecidas em localidades como Hebron (1.833), Hayfield (1.829) e mais de uma dúzia de outras nos condados do oeste de Nova York e Pensilvânia. Muitas destas pequenas igrejas existiram pelo espaço de uma geração ou duas, antes de desaparecerem, vitimas de novas migrações, falta de lideres e outras causas.
 

 


Migrações no Wisconsin

 
Com a abertura do canal de Eric (1.825) e o uso crescente dos grandes lagos, o movimento no sentido oeste de batistas do sétimo dia continuou. Colonizadores vinham por ambas vias aquáticas e terrestres, adentrando o território do Wisconsin onde igrejas foram estabelecidas em lugares tais como Milton (1.8400, Albion (1.843), Wafworth (1.845), Cristiana ou Utica (1.850) e Dakota (1.853). Semelhante a uma árvore sacudindo e lançando de si suas sementes, novas igrejas foram surgindo em estados circunvizinhos. Em 1856 muitas famílias de Milton e igrejas do oeste se transferiram para o estado de Minesota onde uma igreja foi formada, que eventualmente tomou o nome de Dodge Center (1.874). Deste ramo um broto cresceu de volta no Wisconsin, onde a igreja de New Album lançou raízes em 1.882. A abertura de uma estrada de ferro no sul do Illinois atraiu pessoas de lugares como Milton e Berlim, New York e das igrejas de Virginia do oeste. Aqui a igreja da Farina foi estabelecida em 1.886.
 

Grandes planícies até o Pacifico

 
Alguns dos colonizadores de Dakota e Wisconsin fundaram uma associação colonizadora em 1871, para achar uma localização nas grandes planícies. O objetivo era dar aos guardadores do sábado do sétimo dia uma oportunidade de estarem juntos nos assentamentos, para conveniência deles mesmos e ao mesmo tempo não molestar outras pessoas que diferiam deles em matéria de fé e crenças, guardando um outro dia diferente do sábado. Um ano mais tarde uma considerável porção da igreja emigrou para o Loup Valley, no Nebraska, onde eles juntamente com outras que aceitaram o seu convite, formaram a igreja de North Loup, em 1873.
 
O processo de colonização também foi responsável pela dispersão de igrejas incluindo aquelas em Nortanville, Kansas (1863) Boulder (1891) e Calhan (1893) em Colorado; Taney, Idaho (1883) e Colony Heights (mais tarde Riverside), California (1896).
 

Estabelecido por Convicção

 
Colonização, no entanto, não foi o único meio pelo qual as igrejas Batistas do Sétimo Dia vieram a existir. Em 1880 muitos pastores batistas ativos no sul, se tornaram convictos do sábado através de estudos bíblicos e livros expondo a verdade do sábado. Leroy F., Skaggs e James F. Shaw estavam entre os responsáveis por igrejas no Missouri, Arkansas e Texas. Outras Igrejas vieram a existir como fruto direto de reuniões evangelísticas. Em alguns casos as pessoas adquiriram a convicção do sábado através de outras denominações guardadoras do sábado, mas não puderam aceitar outras doutrinas destas igrejas, preferindo aliar-se aos Batistas do Sétimo Dia. Este foi o caso da congregação de Battle Creek Michigan. Em 1904 guardadores do sábado que haviam sido membros de outra igreja guardadora do sábado, convidaram Lewis A. Platts para reunir-se com eles. Subseqüentemente uma igreja foi formada. Passado mais de uma década depois esta mesma igreja promoveu reuniões evangelísticas em White Claud, Michigan. Como resultado destas reuniões, em 1917 os membros da Igreja de Deus de Michigan, (guardadores do sábado) em White Claud pediu para unir-se à Conferência Geral da Igreja Batista do Sétimo Dia.

Artigos Relacionados

Fundadores e Pioneiros
Fundadores e Pioneiros na História da Igreja Batista do 7º Dia Os...
História IBSD Resumida
História dos Batistas do Sétimo Dia   Os Batistas do Sétimo Dia...